segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

(post dedicado a todos os nossos amigos que não apagaram o blog dos Favoritos quando leram o post anterior)

Perceberam a ironia do post anterior? É que está bem patente. Bem fizeram vocês em terem ficado com o rabo alapado a Lisboa sem se meterem em aviões e aventuras e merdas que tal. É que isto do Erasmus é muito giro, muito giro mas só até à última semana de aulas. A semana em que os professores (e nós, vá) se lembram que Erasmus, antes de um programa de (chibas) intercâmbio cultural, é um programa de estudo no estrangeiro. A parte do estrangeiro já está bem entranhada em nós, a parte do estudo é que custa a fazer-se sentir. Modos que estamos há uma semana de cabeça enterrada no The Final Report que é para sair uma coisa para lá de boa. Amanhã entregamos. E eu, muito sinceramente, não me podia estar mais a borrifar para como é que isto vai. Assim como assim, toda a gente sabe que os Erasmus têm vinte a tudo. Iremos nós estragar a corrente e dar mau nome ao programa?
Sem contar com o último exame de Genética que é sexta-feira (se o professor não tiver um enfarte. Uma coisa pequenina. Que não mate, que o senhor é simpático. Uma coisa que o deixe impossibilitado de aparecer na Faculdade só até dia 8.) e nós vamos começar a estudar amanhã para o mesmo.
Aaah vida de Erasmus. Boa que é!
p.s: Eis que a Kati decide que, de todas as horas que existem num dia, esta é a mais indicada para ouvir o «Waka Waka» no volume a que ele soou na abertura do Mundial.

(post dedicado a todos os nossos amigos que se encontram agora a estudar para os exames e, quiçá, a chorar sentados no chão e a hiperventilar)

Tivessem vindo de Erasmus.

sábado, 29 de janeiro de 2011

CouchSurfing


Este blog aconselha.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Próxima paragem: Budapeste


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Os bares de Cracóvia I

Eu podia, porque podia, vir aqui falar-vos de um Harris Jazz Piano Bar ou de um Alchemia, quem diz Alchemia diz Propaganda, na loucura falava até de um Carpe Diem. Se estivesse bebêda ainda trocávamos um dedos de conversa sobre o Kitsch. Mas não. Acredito piamente que vocês, crianças acabadas de desmamar, recém chegadas a esta cidade where dreams still do not come true, precisam de conhecer os clichés primeiro.
Assim sendo, comecemos pelo cliché mais cliché de todos que até enjoa só de pensar: o Frantic. Ora isto é uma espécie de Lux aqui do sítio, mas em mau. Todo o troglodita lá aterra, isto, claro, devido à forma requintada como os security monkeys despacham betinhos e acolhem tchê máno's e pimps.
Nós nunca lá entrámos propriamente, também nunca tentámos, é verdade. Mas ouvimos histórias, e isso basta-nos. Isso e amarfanhar um Big Mac sentadas no degrauzinho do McDonald's cuja vista dá mesmo para a entrada do Frantic. Juro, é melhor do que ir ao circo em época de Natal.
Acho que aqueles.. seres, quando se estão a vestir para a night pensam qualquer coisa como: "epá, deixa cá ver quais são as calças mais mostra-tomates que tenho. Sim, porque o gajedo tem que ver bem aqui o material, se pudesse andava com uns néons a apontar aqui para o Messi das pilas, que isto é pequeno mas trabalha com'ós grandes!". E pronto, isso e uma camisinha preta ou lilás brilhante, vai bem com o sapatinho de bico e ala para o engate.
Senhores, este é o típico machóman que entra no Frantic e, claro está, engata.
Se fores um fofinho de Lisboa, calça de ganga no ponto, camisinha branca para fora a mostrar um nico do pelito, botinha Merrell ou Timberland ou raio que o parta, nananinanão. "Parece que vais fazer uma caminhada nas montanhas, bazê".
Não entrando neste mui nobre estabelecimento, um gajo vai ter ao Shakers, ali ao ladinho, assim com'ássim vai dar ao mesmo. E vai, no fundo, vai. Bebidas caras que dói, miúdas sobreproduzidas, músiquinha de há 5 anos atrás e muita mangueira, tudo com a mesmíssima ideia.
Se querem noites com erasmAs (desde turcas, lituanas, romenas, eslovenas, checas, russas, fáceis fáceis) têm o Diva. Todo o estrangeiro lá vai à procura de gado fácil, só que às vezes são caçados e calham-lhes as "profissionais do prazer". Giro deve ser a manhã a seguir quando a rapariga lhes pede guitos "para o táxi". Cién, igualito.
Prozak. Todo o estudante erasmus lá vai parar um par de vezes por engano, tal é a publicidade. Nunca percebi muito bem como aquilo funciona, ora há guestlist ora não há, ora estás muito bebêdo para entrar, ora não. Demasiada salsa, esfreganço a dar com pau (piadola), festas temáticas q.b. mas a cerveja é cara para o espaço. Já para não falar do ambiente... A menina não gosta, pronto.
Depois temos o Afera aos domingos que também não passa muito do standart: músiquinha comercial e ultrapassada, mas com bebida baratíssima, espaço para conversar (se não forem adeptos de bailarico como moi meme), espaço para fumar (muito importante, que isto agora com a lei anda pela hora da morte e está um frio desgraçado), muito erasmus, muita gente, beca beca. Thumbs up.
Para "arrematar", vá, não implorem mais. O Kitsch, antigo (pfff, AHAHAHA) bar gay, é bom para o after hours. Nem pensar ir para lá antes das 3h da manhã (a não ser que queiram morrer sufocados ou andar ao estalo), músiquinha antiga mas boa (principalmente se estivermos com os copos), muito engate, só vai para casa sozinho quem quer (e fizer que já não está a ver bem), check para a sala de fumos, preços acessíveis e poles (just in case).

A propósito da falta de tempo

Ando numa corrida contra o relógio e o cabrão está a dar-me uma valente abada.
Pudera, são três contra uma!

Aqui a do lado, a outra

Nós podíamos ter vizinhas normais e pacatas que podíamos. Mas assim, ia-se logo uma fonte de peripécias que tão bem figuram aqui no blog. E isso, parecendo que não, era aborrecido.
Já é do conhecimento geral a peça que é a Kati. Dali, nada de novo há-de vir. Tudo o que possamos dizer sobre ela, passará pelo facto de ela foder tudo o que mexe.
Hoje, contudo, falamo-vos da outra, da polaca. A polaca (porque por mais que tente, não me consigo lembrar do raio do nome da miúda. E parece-me francamente mau perguntar-lhe «Como é que disseste que te chamavas mesmo?» quando ela já aqui mora há dois meses e quando falamos diariamente.) ficou logo marcada por ter trazido para o conforto do nosso lar uma coisa que dá pelo nome de frigorífico, mas que é bem mais do que isso: é a razão de todos os nossos problemas, insónias e indisposições. Depois disso, nada que valha a pena relatar. Vá, uma coisinha: ela é paranóica. Tem um qualquer distúrbio esquizofrénico que se reflecte na relação dela com as portas. Disse-nos mais do que uma vez, e quase à beira das lágrimas, para, pelo amor de deus, fecharmos a porta à chave que nunca se sabe quem é que aí vem. Depois, pede-nos para deixarmos a nossa porta aberta enquanto ela toma banho, não vá entrar algum ladrão no quarto dela e sodomizá-la à bruta quando ela lá entrar. Nós, compreensivas que somos, sim senhor, deixa lá a porta aberta, na boa.
Hoje estava eu quase desperta e quase vestida, prontinha para sair de casa e enveredar por mais um dia de exploração gratuita e olhares furtivos para o Mateusz, quando aqui a polaca nos entra pelo quarto adentro, muito aflita. Tinha assim um tom azulado ou roxo ou o raio que a parta e vinha agarrada à garganta. Arfava e emitia outros barulhos igualmente estranhos. A F. estava a dormir e a dormir continuou. Eu, um nadinha chocada, levei um bocadinho a perceber o que se estava a passar. O tempo de ela dizer «I'm choking! I'm choking, I can't breath!». Eu pensei «Tuuuuudo o que me faltava...» e ela correu para a casa-de-banho. Eu atrás dela. Não esteve de modos e toca de meter os dedos à garganta. Eu só pensava que não lhe fazia a manobra de Heimlich nem que ela caísse no meio do chão que isso faz mal às costas. Às minhas. Confesso que também pensei «Vá lá, vá lá, não morras já. Deixa-me só ir ali acordar a F. para ela testemunhar que não fui eu que te matei. Vá lá, aguenta só dois segundos.» mas foi só até aquilo lhe passar mais ou menos. Eu não sabia muito bem o que dizer, então perguntei a única coisa que me ocorreu: se ela tinha comido peixe ou se tinha alergias. «I am not crazy, I wouldn't eat something if I was allergic!» «Ok, desculpa lá a preocupação, hm, oh otária? Morre para aí.» Mas como eu sou fofinha, fiquei com ela até aquilo lhe passar, para depois lhe começar a doer a cabeça.
A F. acordou depois do espectáculo todo e quando eu lhe disse que a polaca tinha estado a morrer, voltou-se para o outro lado e continuou a dormir.

sábado, 22 de janeiro de 2011

(Nós temos uma amiga francesa que mora numa casa com mais oito pessoas. Na cozinha deles cabem quatro ou cinco quartos dos nossos. E têm um balcão de bar. É tudo o que é necessário dizer acerca do sítio... Só mais isto, talvez: é lugar das (dependendo do ponto de vista) melhores festas Erasmus da cidade. Temos um dress-code que é para ser seguido à risca. A última festa acabou como acabou. Para a de hoje, só uma palavra: medo. Muito medo.)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nós vamos parar ao Inferno

Nós temo-nos como relativamente boas pessoas: não roubamos, não batemos em ninguém e... penso que é tudo. Por isso, sempre tivemos como certo que, quando chegasse o derradeiro momento, e estivéssemos à frente de duas setinhas, uma a dizer «Céu», outra «Inferno», nós seguiríamos a primeira, com um hi5 no big boss lá do sítio. Hoje, já não temos tanta certeza disso. A Polónia faz de nós más pessoas. Nós já passávamos o dia a dizer mal de tooooda a gente (isto está a ficar descontrolado, acho que precisamos de ajuda especializada quando chegarmos a Portugal) o que, só por si, reduz as nossas hipóteses de entrar no cantinho dourado. Nós já não nos levantávamos quando os velhinhos decrépitos entravam no autocarro e se punham à nossa frente com aquele ar de carneiro mal morto, à espera do que nunca havia de vir. «Hm.. Acho que este está a olhar para nós. Levanta-te.» «Levanta-te tu!» «Eu não...» «Eu também não. Deixa-o estar, é para esticar as pernas.» Nós já não deixávamos ninguém passar à frente no supermercado (a menos que fosse uma grávida muito, muito prestes a dar à luz. E mesmo assim já se lhe tinha que vislumbrar a cabeça da criança.) Quando fomos à terra da Joanna, o primo dela andava na rua a recolher dinheiro para fazer não sei o quê na igreja lá do sítio. Ela deu-lhe 5zl. Nós nada. Só quando ela se voltou para nós e apontou para o puto, que estava com a latinha esticada, é que nós sacámos das carteiras, demos 1zl e dissemos «Fá-lo render!». Nós já não éramos o protótipo de boas pessoas e nunca alimentámos a esperança vã de ganhar o Nobel da Paz. Hoje, porém, atingimos outro patamar.
Pois que estávamos nós quietinhas no café mais fofinho aqui da aldeia, onde vamos nós eeeee... a empregada, quando entram umas miúdas também fofinhas e vão ao balcão. Falaram lá no dialecto delas com a empregada e, de repente, sem aviso prévio, foram-se pôr ao pé da porta, sacaram de um presépio e de um copo e começaram a cantar alegremente. Nós, apanhadas de surpresa, ficámos a olhar para elas durante dois segundos, antes de nos apercebermos que raio era aquilo. «O...que....é...que....se....está...a...passar...aqui?» sussurrei eu pelo canto da boca, com medo de fazer movimentos bruscos, não fossem elas começar também a dançar e a cuspir fogo. «Não sei, mas desconfio. Para lhes darmos dinheiro?» «DINHEIRO? Nem para mim tenho, quanto mais para andar a alimentar vícios!» «São crianças... E até estão a cantar...» «Ai a minha vida... Mas tu queres ver...?», enquanto elas acabaram a música. Chegaram-se ao pé de nós, puseram aquele ar de criança fofinha e pedinte e disseram «Ajdejnfhfjdd Jndhwiqpqmcn Hue w ednduandanian qwwe?», rematando com um sorrisinho angelical e enfiando-nos o presépio nos olhos. «Eeeer... Nós não falamos polaco...» Nada. Sorriso ensaiado e persistente. «Portanto... Se calhar... Cada uma de nós ia à sua vidinha e esquecia que nos vimos. Hm? Que nos dizem?» Desapareceram os sorrisos. Baixaram os olhos. Recolheram o presépio. Viraram costas e foram-se embora. Nós ficámos com caras de tacho, assim entre o chocado e o envergonhado. «Eu não acredito que não deste dinheiro às miúdas! Ouve, que má pessoa! Eram crianças!» «Também não te vi dar! Mas eu ia dar, se elas tivessem insistido mais um bocadinho, eu dava!» «Mas eu também ia dar, estava a pensar se tinha moedas.» «Vamos parar ao Inferno. Recusar dinheiro a crianças que, ainda por cima, cantaram é um livre-passe para o Inferno...» Silêncio... «Achas que elas passam fome?» «Não, estavam bem vestidas. Provavelmente, andam a recolher dinheiro para uma viagem da escola.» «Achas? Na rua?» «Sim, de certeza, deve ser para a viagem de final da primária. Deve ser dinheiro para irem a Lloret.» «Tens razão. Em Lloret, uma pessoa só se desgraça, ainda bem que não demos. Estamos a fazer-lhe um favor.» «É, ainda nos vão agradecer.»

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

tradicional vs rebuscado

Eu, apologista afinco do whatever makes you feel good, tenho para mim que Brufen é para meninas. Acordar às 8h da manhã para tomar um comprimido não funciona comigo. Como tal, adoptei outro antibiótico. O belo do moscatel de Setúbal. Juro, é o licor dos deuses. Já me sinto outra. E aconselho vivamente. Isso e uma quantidade parva de açúcar. Isto, claro, não se aplica só a constipações; quem sofre de males como: stress pré- (ou pós-) exames (muito em voga nesta época), solidão por feiura (ou por outra coisa qualquer), falta de carinho (ou de outra coisa que tal), ai-que-ele-não-me-responde-ai-que-ele-não-me-quer (é remédio santo), frio simplesmente ou só por gosto. Isto resolve todos os males, já dizia a minha avózinha.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Dos desejos

Estar doente é meio caminho andado para virarmos mini-pessoas (que é como quem diz, bebés) outra vez, choronas e dependentes. Se eu estivesse em casa agora, tenho a certeza que, por esta altura, a minha mãezinha já me tinha feito uma canja de galinha com arroz, xarope de cenoura, 4 chás diferentes e 2 bolos. Já me tinha vindo dar colherzinhas de mel à boca, enfiado uma dose estúpida de comprimidos e mézinhas no bucho e empilhado cobertores na minha cama. Tudo enquanto regulava o aquecedor e mexia na antena da televisão para eu poder ver bem o canal que queria.
A verdade é que esta terrivel doença que é a constipação praguense tem muito que se lhe diga. A mim, por exemplo, para além de todos os germes, atacou-me também com desejos. Não, não estou grávida. Mas acho que a ranhoca vai começar a sair com cara de cheesecake se a A. não me for buscar um entretanto.


Destes.

O cair de um mito

Desenganem-se os que de vocês achavam que os dias das princesas eram repletos de coisas interessantes e histórias vibrantes. Os que achavam que as nossas vidas acontecem num cenário brilhante, com arco-íris e borboletas.
Estamos doentes, muito doentes. Às portas da morte, arriscaríamos dizer. A verdade é que estamos muito, muito constipadas (uma doença um bocadinho larilas, é certo; mas muuuuito maçadora) e já estivemos mais longe de ligar para a morgue a reservar duas caminhas. Não aconselhamos niguém a entrar neste quarto sob pena de sair daqui tuberculoso (mentira, já convidámos a Kati a aqui entrar para ver se ela PÁRA DE PINAR dia sim dia sim).
Ora, ir ao médico está fora de questão que eles são talhantes com um diploma. Portanto, é encharcarmo-nos nos comprimidos todos que para aqui temos e esperar que matem o bicho. Praga traiu-nos e pegou-nos isto. Estamos sobretudo sentidas com Praga. Porque é uma coisa que não se faz; nós visitámo-la com tanto carinho, só dissemos bem dela e é assim que ela nos p(r)aga*. Nós que nem íamos apontar os defeitos que Praga tem. Porque Praga tem defeitos. Assim, só para ela não se armar em esperta, fiquem sabendo que, em Praga, toda a gente tem cães apaneleirados. Não há cães másculos e fortes, só merdas pequenas e histéricas. Em Praga, tem que se pagar para ir à casa-de-banho (estás no restaurante a consumir uma refeição que te custou os olhos da cara e dá-te a vontade súbita? Arrota 5 ou 10 CZK!) Aaah how does it feel, Praga? Que tal o sabor da traição?
Por outro lado, este dia tem-nos servido para pormos em dia as séries que temos vindo a acompanhar religiosamente desde que estamos na Polónia. A saber: Gossip Girl, Glee, Desperate Housewifes, Criminal Minds, Private Practice, Grey's Anatomy, Modern Family e, a mais recente descoberta, Californication. Tudo coisas que exigem um nível de intelectualidade baixinho, baixinho. Menos o Glee.
Aos que estão a pensar neste momento «QUE bando de desocupadas!», o nosso bem-haja.
* O que é que faz de nós pessoas extraordinárias, perguntavam vocês? A capacidade de criar piadas com este nível de complexidade mesmo com os pés virados para a cova.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Parabéns, Croissant!

Não estávamos aí contigo para te enfrascar mas não nos esquecemos. Em jeitos de prenda e para compensar as chouriças, vimos isto e pensámos em ti.

Akropolis

Se há coisa pela qual Praga é conhecida é pela noite. Toda a gente sabe onde fica a maior discoteca da Europa Central, uma coisa assim estúpida de grande que é, com cinco pisos. Vale a pena lá ir? É capaz, não sabemos.
Nós não gostamos de ficar pelo óbvio, portanto, quando toda a gente que vai a Praga, vai pelo menos uma noite à Karlovy Lázne, nós decidimos não ir. Acatámos a sugestão do Lenny e pusemo-nos a caminho do Akropolis.
Nós devíamos ter desconfiado. Nós devíamos ter percebido que um lugar que fica a cinquenta e quatro mil quilómetros do centro da cidade, num bairro homólogo à Cova da Moura, não pode ser coisa boa. Mas não desconfiámos, mesmo quando aquilo de fora parecia um prédio prontinho a ser demolido. Entrámos à mesma, desembolsando 30 CZK. Descemos umas escadinhas e estávamos num sub-mundo. Corredores e mais corredores que levavam a duas salinhas: uma hardcore, com música daquela que entra na cabeça e nos começa a fazer ver pontinhos luminosos onde devia estar uma cara; outra com música assim baixinha, agradavelzinha. Óptimo para nós e sentámo-nos. O lugar em si parecia uma coisa que só vampiros ou foras-da-lei frequentariam. A luz também era coisa escassa. Só sabíamos onde estava uma de nós quando ela falava.
Assim, de um momento para o outro, ficou a loucura. Desconfiamos inclusivamente que estava tudo a postos à nossa espera. O DJ ocupou lá o lugar dele e começou a pôr um Charleston, tudo muito anos 20, misturado com um jazz remixado. Uma coisa quase boa demais para ser verdade. E depois música latina. E disto outra coisa qualquer.
Aconselhamos vivamente o Akropolis, pelas pessoas. E pela pedra barata. O DJ misturava a música na mesa com uma mão e enrolava e fumava um charro com a outra. Mais à frente, outro homem fumava doses industriais de erva. Ao nosso lado, uma rapariga dançava alegremente enquanto enfardava amendoins (ou seria ecstasy?) como se não houvesse amanhã. A S., quando foi à casa-de-banho, ouviu duas pessoas a sniffar umas linhas, rematando com um «Maaaan, this shit is good!». Uma senhora com uns respeitáveis cinquenta e tal anos dançava no meio da pista, enquanto engatava descaradamente um moço que tinha idade para ser nosso irmão mais novo. De vez em quando dava uns pontapés no ar de fazer inveja a qualquer contorcionista.
Um casal do mais estranho, completamente pastilhado, dançava à nossa frente e caía no meio do chão a cada dois minutos, levantando-se logo de seguida e continuando com as voltas e os rodopios.
Nós estivemos metade do tempo agarradas às barrigas a rir, o que se traduz numa noite bem passada. Era tudo demasiado engraçado. Ou, agora que penso nisso, do fumar passivamente.

Praga, que cidade do caralho! IV

Ponte Carlos




John Lennon Wall






Praga, que cidade do caralho! III

Praga é uma cidade que não dorme, ao contrário de nós, que dormimos e bem. Assim, um plano de acordar às 10h depressa se estendeu por mais três horas.
Este dia foi dedicado apenas a visitar o Castelo de Praga e o que, à partida, pode parecer demasiado tempo para ver um castelo, revelou-se insuficiente. É que o Castelo de Praga, como aliás tudo na cidade, é absurdamente grande. É uma vila dentro de muralhas. E a Catedral ?



















Praga, que cidade do caralho! II

Pagamos um café a quem perceber para que é que isto serve.

Pista: a bota está sobre um pedal.
Senhoras e senhores, eles têm um Museu das Máquinas de Sexo. Um museu com todo e qualquer objecto sexual desde os primórdios da Humanidade até aos dias de hoje. Têm inclusivamente toda uma secção dedicada ao sadomasoquismo. Uma coisa de medo, muito medo. É um lugar onde podemos sentar-nos no conforto de uma salinha a apreciar um filme pornográfico espanhol dos anos 20. E quem acha que por ser dos anos 20 é uma coisa soft onde o máximo que se vê é um tornozelo descoberto ou um ombro desnudado, engana-se! A pornografia hardcore nasceu nos anos 20, arriscamo-nos a dizer. Já para não falar no estranho que é estar na salinha com mais algumas quinze ou vinte pessoas. Olhares desconfortáveis, esgares, risinhos tímidos foram uma constante.
Está percebido agora o serem o principal exportador de pornografia a nível mundial?



Praga, que cidade do caralho! I

As expectativas eram altas. Quase altas demais, temíamos nós. Tinha medo que fosse como quando abriu a Expo e as pessoas diziam que ia ser uma coisa megalómana e nunca antes vista e a única coisa que eu gostei foi da fita para o cabelo que os meus pais me compraram no Pavilhão do Peru. «Praga? Uuui que coisa tão bonita. A cidade mailinda que eu já vi! Uma pessoa fica parva a olhar para aquilo!» E nós lá fomos, com medinho de lá chegar, não gostar e depois não ter coragem para responder «Nada de especial.» quando nos perguntassem «Então? O que é que acharam de Praga?».
Saímos de Cracóvia às dez na noite e já sabíamos que tínhamos que comprar bilhete até à estação antes da fronteira - Zabrydowice -, passar a fronteira no mesmo comboio enquanto rezávamos para que o revisor não aparecesse e então, já na República Checa, comprar bilhete de Bohumín para Praga. A razão de nos darmos a este trabalho todo foi o pagarmos pouco menos de vinte euros para fazer o percurso todo, em vez de pagarmos o quíntuplo. Passámos a fronteira e, mais descansadas, fizemos um in your face aos checos por não descobrirem tão brilhante plano. Em Bohumín, contudo, levámos um in your face ainda maior. Felizes que só nós, ao querer comprar o bilhete, o senhor disse-nos que só aceitava coroas checas. Nós, como é lógico, só tínhamos zlotys. «Então e euros? Têm?» Que não, que não... Não fazia grande sentido, uma vez que estamos a morar na Polónia, não sei... «Ah... Então... Pois, não sei.» Picture: Nós + duas da manhã + a meio quilómetro da fronteira + sem dinheiro + sem multibancos + sem merda nenhuma = medo, muito medo. «Vão mandar-nos para a Polónia, pelos campos, a pé, pronto. Com sorte, há aí um posto de Guarda Fronteiriça e começam a disparar contra nós e soltam os cães.» Ou então, o revisor foi simpático e deixou-nos ir levantar dinheiro na estação seguinte. Pronto, foi mais isto. Chegámos sem percalços de maior a Praga, por volta das sete da manhã.
Praga mete medo de grande que é, deixa-nos o coração nas mãos porque temos medo de não conseguir guardar tudo na memória, pena por não termos olhos grandes o suficiente para apanhar a vista toda só com um olhar. Então andamos na rua com atenção, sem pestanejar, não vamos nós passar por (mais) um edifício demasiado bonito para estar num beco. Praga tem o maior centro histórico da Europa e, para nós, está mais que justificado. Tem mais de vinte museus e algumas cem galerias.
Assim que deixámos as mochilhas no hostel e dormimos umas três horas na sala (porque o ar no dormitório era irrespirável. Wanna know why? Imaginem um quarto com quatro rapazes. E com quatro pares de ténis. Isso, irrespirável.) , arrancámos para a cidade.
Apesar de só termos estado in town três dias, pensamos que vimos o que de mais importante havia para ser visto. Mas não temos a ingenuidade ou a arrogância de achar que Praga não tem mais nada para oferecer. Porque podíamos sempre lá ter vivido que desconfiamos que ainda nos íamos conseguir surpreender com o que cada rua esconde.
Assim, e a quem interessar, eis alguns dos lugares que visitámos:






Museu Nacional de Praga (a colecção de História Natural é muito, muito boa)







O Relógio Astronómico (os checos não estão de modos; para evitar que o relojoeiro repetisse a proeza, cegaram-no.)





A praça principal com a Igreja de Nossa Senhora Diante de Tyn (qué feito da entrada? Não há.).


Museu da Tortura (oh coisinha macabra!)

(post tardio, mas muito a tempo)

Senhor Embaixador,
Nós somos moças votadeiras.
Somos pessoas opinativas que têm sempre algo de novo e instrutivo a acrescentar a uma conversa. Gostamos de pensar que conseguiremos deixar o mundo um bocadinho melhor se exercermos o nosso direito de voto o maior número de vezes possível. Votamos na presidência da Associação de Estudantes e na Assembleia Geral. De caminho, votamos sempre também na mesa da RGA (e o que é a mesa da RGA, pergunta o sr. Embaixador. Pergunta bem, pergunta bem...). Só não votámos na Comissão de Residentes aqui da Piast porque a folhinha estava em polaco. E porque a votação foi às oito da manhã de um sábado.
Como tal, e dado que algo género (mas de menor envergadura, note-se) se está a passar no país que nos é comum, nós gostaríamos de votar para eleger o PR. Assim sendo, e como V. Ex. bem sabe, enviámos-lhe um e-mail todo ele cheio de floreados e palavras caras para perguntar somente «Méquié? Onde é que se vota aqui num raio de duzentos metros?». O sr. Embaixador, como pessoa ocupada que é, mandou um dos seus assessores responder-nos qualquer coisa como «Querem votar, get your ass num comboio rumo a Varsóvia no dia 11 ou no dia 12 e é isto.».
Ora, aqui é que reside o problema da questão e a razão pela qual o senhor se encontra a ler este post. O senhor sabe, mais uma vez tão bem quanto nós, que a nossa última ida a Varsóvia também foi a seu mando, aliciando-nos com um jantar português. Sabe igualmente que a dita viagem ficou marcada pela falta de jantar e, imperdoável!, de bebida. Deste modo, e para se redimir e tentar salvar a nossa relação, só lhe ficava bem meter o seu real cu no carro financiado pelos impostos (que os nossos pais pagam) que nós pagamos e vir aqui ao sul com dois boletins. O senhor não achará, com certeza, que vamos dispender 52zl para ir aí sem a garantia de que temos uns canapés à nossa espera, supômos nós.
Mas não fiquemos por aqui; achamos legítimo que o senhor queira saber se vale a pena o vir a Cracóvia só para duas princesas escrevinharem uma cruz. Fique sabendo que nós somos jovens politicamente activas, valemos o esforço. Se não, vejamos:
1) Este ano, fomos à Festa do Avante. O que é que uma pessoa faz no Avante? Fuma char... Inteira-se da abordagem política do saudoso PCP.
2) Temos conversas tão eruditas como «Olha lá, este Passos Coelho é giro ou é impressão minha?»
3) Frequentamos assiduamente o Capas Negras. E quem é que mora na porta imediatamente à direita do Capas? O former president Mário Soares.
4) Uma de nós, no caminho casa-Faculdade, passa diariamente pela Braancamp. Quem é que mora na Braancamp? O seu chefe.
5) As nossas toalhas, canecas e chapéus-de-chuva foram comprados no IKEA. Quais são as cores do IKEA? Amarelo e Azul. Quais são as cores do CDS-PP? Amarelo e azul.
E isto são apenas exemplos, podíamos continuar. Se isto não atesta o nosso interesse e envolvimento na Agenda Política Nacional, pouco mais o fará.
A sério, venha cá que ainda aceitamos um copo. (Nós oferecíamos, mas o dinheiro das bolsas não chega para tudo. Dê aí um toque ao big boss nesse sentido, já agora.)
Maneiras que é isto: vá masé proceder a acções que pouco ou nada nos interessam, por intermédio do seu traseiro , acções essas que may or may not ser indícios de que o senhor é apreciador de amor entre iguais, que nós vamos deixar-nos estar 'ssogaditas aqui em Cracóvia a ver as eleições pela TvTuga e a gastar os 52zl em rodadas à saúde do novo PR.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Da próxima vez que jogarmos ao "Nunca" já vamos poder beber quando disserem:

Eu nunca fui roubada num comboio.
Eu nunca fui roubada num comboio no valor de 100euros (filho da puta).
Eu nunca quase fiquei apeada na fronteira sem ter a moeda do país para comprar o bilhete de comboio e como tal...
Eu nunca entrei num país sem bilhete.
Eu nunca checkei num comboio (inchem).
Eu nunca paguei para checkar.
Eu nunca paguei 8euros por duas noites num hostel (e pensei que me fossem tirar um rim enquanto estava a dormir).
Eu nunca paguei 8euros por duas noites num hostel e dormi com mais 3 gajos na camarata.
Eu nunca apelidei dois coreanos de Thai e Zé.
Eu nunca fui apanhada pelo Thai (ou foi pelo Zé?) com as calças na mão.
Eu nunca vi um filme pornográfico.
Eu nunca vi um filme pornográfico de 1920 (faz toda a diferenca).
Eu nunca vi um filme pornográfico de 1920 na companhia de mais de 20 pessoas.
Eu nunca fui a um Museu de Máquinas de Sexo.
Eu nunca fui a um Museu da Tortura.
Eu nunca conheci ninguem do Panamá.
Eu nunca conheci ninguem do Panamá que parecesse o Lenny Kravitz.
Eu nunca conheci ninguem do Panamá que parecesse o Lenny e fosse professor de Salsa.
Eu nunca conheci ninguem do Panamá que parecesse o Lenny, fosse professor de Salsa e estivesse de coração partido.
Eu nunca cobicei um espanhol de outra.
Eu nunca visitei o Museu Nacional de Praga.
Eu nunca visitei o Museu Nacional de Praga estando quase a dar-me o badagaio.
Eu nunca passei uma secção inteira de um museu de olhos fechados e em passo acelerado.
Eu nunca andei 2horas à procura de uma farmácia.
Eu nunca andei 2horas à procura de uma farmácia e fiquei com vontade de encher a farmacêutica de estalos.
Eu nunca paguei 130 qualquer coisa pelo meu almoço.
Eu nunca paguei 100 qualquer coisa por uma revista.
Eu nunca atravessei um rio de metro.
Eu nunca vi o Super Mário ao vivo e a cores.
Eu nunca vi o gajo mais giro do mundo.
Eu nunca fiz a dança do "Marry me" do Glee.
Eu nunca fiz a dança do "Marry me" do Glee a atravessar as passadeiras de Praga.
Eu nunca dei um concerto de músicas dos Glee na estação dos comboios de Praga.
Eu nunca ouvi ninguém a sniffar.
Eu nunca estive num bar de queimados.
Eu nunca cavalguei um bebé.
Eu nunca personifiquei uma estátua como algo suado e másculo.
Eu nunca vi um alien a servir num bar.
Eu nunca pensei em usar bling-blings, tal era a quantidade.
Eu nunca cantei "I just had sex" pelo metro de Praga.

to be continued..